terça-feira, 29 de abril de 2014

Aplicativo permite acompanhar nível dos mananciais de SP
Gustavo Faleiros - 25/04/14

Desde que teve início o monitoramento da água da Serra da Cantareira, em 1974, o nível da reserva nunca esteve tão baixo. Trata-se de um dos principais mananciais de São Paulo, responsável pelo abastecimento de metade da Região Metropolitana e de municípios vizinhos como Barueri, Caieiras, Carapicuíba, Franco da Rocha, Francisco Morato, Guarulhos, Osasco, Santo André, São Caetano do Sul e Taboão da Serra.
Com objetivo de facilitar o monitoramento e contribuir com o debate sobre soluções para o problema, a equipe do site ((o)) eco desenvolveu um aplicativo para web que permite a visualização da evolução dos níveis não só do Sistema Cantareira, como de mais quatro mananciais. Com a ferramenta, também dá para acompanhar o volume de chuvas registrado a cada dia nos reservatórios. 
O aplicativo foi desenvolvido pelo programador Miguel Peixe, de ((o))eco Lab, laboratório de inovações de ((o))eco. Clique aqui para acessar a página do projeto.
Saiba como a ferramenta foi desenvolvida
O aplicativo sobre os sistemas de abastecimento de São Paulo obtém, por meio de um programa, dados de nível dos reservatórios e precipitação do site da Sabesp. Para obter estes dados, a técnica utilizada foi a raspagem, ou scrapping como é conhecida em inglês. De maneira resumida, o que fizemos foi um código em linguagem JavaScript, que permite que cada atualização no site da Sabesp esteja sincronizada com nossa base de dados.
A visualização utiliza a biblioteca D3 (Data Driven Documents), que também é baseada em JavaScript. Ela permite também a filtragem dos dados por períodos específicos de tempo.
O trabalho foi inspirado pela visualização realizada pelo estúdio Jurema há duas semanas. Nossa contribuição é exatamente permitir uma análise da série histórica dos dados sobre os reservatórios.
Segue aqui o o código-aberto da aplicação - https://github.com/oeco/mananciais

Fonte: http://www.oeco.org.br/oeco-data/28245-aplicativo-permite-acompanhar-nivel-dos-mananciais-de-sp

Um mundo proativo precisa acreditar que é possível melhorar


Suzana M. Padua - 28/04/14

44346 950x712-cb1357502161Jane Goodall resumiu a gentileza que os humanos podem desenvolver pela natureza quando se sentem parte dela. Foto: Hugo van Lawick / National Geographic
Ainda somos perguntados por que trabalhamos para salvar animais ameaçados de extinção com tanta gente passando fome. A escolha de se dedicar com a proteção da natureza é digna de crítica por pesquisadores da área social, que insistem em priorizar a humanidade em face à natureza, como se não fôssemos parte do mundo natural, e como se a sociedade não dependesse do equilíbrio ambiental. É verdade que a espécie humana parece ter se esquecido de sua essência natural e que se colocou como superior às demais, sentindo-se no direito de usar e abusar dos recursos. Hoje, a decisão de quem vai ou não sobreviver ao longo do tempo está nas mãos de uma só espécie: a nossa.
O contrário é igualmente comum. Cientistas da natureza dificilmente aceitam que se lide com a sociedade. Conservação precisa ser 'pura', ou seja, deve se ater às espécies encontradas nos ecossistemas naturais. E muitos creem que o ser humano atrapalha e estraga e, por isso, deve ficar longe das áreas naturais. A questão é como tornar a natureza preciosa, que vale a pena ser protegida?
A meu ver, a beleza está na inclusão e não na exclusão das escolhas, que sempre acabam prejudicando parte do que é vivo. Nem se ater às questões meramente sociais e nem às preservacionistas. Somos natureza e precisamos redescobrir o amor pela nossa essência e, assim, reaprendermos a respeitar e nos assombrar com a beleza dos sistemas que ajudam a provocar tanta complexidade e detalhes que fazem a vida possível.
A postura de superioridade do ser humano frente a outras espécies está ligada à interpretações errôneas. A ideia de que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus deveria ser utilizada para elevarmos nossa responsabilidade e "maravilhamento" de tudo o que existe nesse planeta e no cosmos, de modo a nos sentirmos parte dessa teia da qual somos integrantes.
Pensadores como Bacon e Descartes levaram a premissa de termos o direito de utilizar a natureza ao nosso bel prazer ao extremo. Mas, de lá para cá, o que fizemos foi colocar as ideias deles e de muitos outros que seguiram essa linha de pensamento em prática, levando o planeta a evidentes formas de insustentabilidade. Há séculos que usamos a natureza de maneira impensada, e resistimos bastante à ideia incômoda, mas imprescindível, de que somos responsáveis pelas perdas que estamos vivenciando. Se nos deparamos com falta de água é por que desmatamos e tratamos indevidamente as nascentes e os mananciais. Se estamos vivendo uma época de doenças, fomos nós que envenenamos os alimentos com produtos tóxicos e nocivos à saúde. Se os recursos estão acabando, por termos os utilizado de modo irresponsável. O fato é que o planeta é finito e o tratamos como infinito.
Pela via da motivação
"Em vez de divulgarmos o que está acontecendo de ruim, como mudanças climáticas e suas consequências, fome e má distribuição de renda, perda de diversidade biológica e cultural (...) nossa forma de comunicar deve ser de um mundo em harmonia e atraente. Algo que nos mova à ação."
Nosso cérebro é composto por dois lados que se integram e se completam. O desenvolvimento de nosso lado racional, que prevalece nos últimos séculos, nos levou a tecnologias e confortos que prezamos e dos quais não queremos abrir mão. No entanto, o nosso lado sensível não é valorizado pela sociedade, pois exige tempo e caminhos diferentes para aflorar. Este compreende o artístico, o intuitivo e o que diz respeito a nossos valores. O equilíbrio entre a racionalidade e a sensibilidade deveria ser a meta de um processo educacional de qualidade.
Porem, nos acostumamos com o errado, insustentável e injusto e nem nos sentimos mais incomodados com o que presenciamos. Banalizaram-se os absurdos e as atrocidades. E, com a modernização dos meios de comunicação, temos cada vez mais notícias do que acontece mundo afora. O que levava meses antigamente para sabermos, agora é imediato. Isso poderia ser uma vantagem, mas parece não surtir tantos efeitos produtivos. A razão é que nossa mente está cansada de notícias ruins e bloqueia a entrada de algo que acha não dar conta de enfrentar.
Segundo Ed Gillespie (Futerra, Inglaterra), precisamos ver o mundo de maneira diferente. Os desafios devem ser apresentados como algo factível de ser solucionado. Por exemplo, ao invés de divulgarmos o que está acontecendo de ruim, como mudanças climáticas e suas consequências, fome e má distribuição de renda, perda de diversidade biológica e cultural, finitude de recursos, e assim por diante, nossa forma de comunicar deve ser de um mundo em harmonia e atraente. Algo que nos mova à ação. Dois bons exemplos produzidos pela Futerra para a Comissão de Educação e Comunicação da IUCN são pequenos vídeos: "Love. Not Loss" e "How to Tell a Love Story". A ideia é de compartilhar algo solucionável em um mundo que queremos, e não mais apenas os desastres que ocorrem cada vez com mais frequência.
Portanto, devemos educar para o inconformismo e para instigarmos a noção de que é possível ousar o novo, principalmente quando se quer proteger a vida do planeta. O despertar de nosso lado intuitivo, sensível e artístico precisa ser ativado junto com o racional, lógico e estruturado. Precisamos integrar o social e o ambiental de maneira indissociável, por não ser separável. Ademais, uma educação responsável e estimulante precisa ser concebida e ofertada com uma comunicação coerente, levando em conta como funciona nosso cérebro. A educação deve levar em conta o que é eficaz para a comunicação e vice-versa; um campo podendo se beneficiar com as lições do outro. A ideia é atrairmos mais adeptos à sustentabilidade planetária e aumentar a chances de atingirmos um maior equilíbrio entre o que queremos e o que somos capazes de fazer para chegar lá. É um estado de espírito que precisa ser disseminado, incorporado e colocado em prática.

Fonte: http://www.oeco.org.br/suzana-padua/28251-um-mundo-proativo-precisa-acreditar-que-e-possivel-melhorar

Manejo florestal conquista espaço na Caatinga



Manejo florestal conquista espaço na Caatinga
Manejo provê produtos florestais obtidos de forma sustentável

Com ações nos principais elos da cadeia produtiva florestal, SFB busca valorizar bioma, que mantém cerca de 50% da cobertura, via uso sustentável e conservação. Dia da Caatinga é comemorado nesta 2ª feira

A Caatinga, cuja data comemora-se nesta segunda-feira, 28/04, ainda mantém cerca de 50% de sua cobertura. Para contribuir com sua conservação, o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) adotou uma estratégia diferenciada: fomentar a sustentabilidade não somente em uma ponta, mas nos principais atores da cadeia da lenha, principal produto florestal do bioma.
As ações abrangem desde aqueles que produzem o insumo – agricultores familiares em assentamentos da reforma agrária, por exemplo – aos segmentos industriais que mais o consomem, como empresas ceramistas. Extensionistas e estudantes também são foco das atividades do SFB.
Nos últimos quatro anos, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal (FNDF/SFB) juntamente com o Fundo Clima, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), investiu mais de R$ 7,5 milhões no apoio ao manejo florestal nos assentamentos, na capacitação para extensionistas que atendem agricultores familiares, na realização de cursos sobre manejo florestal para estudantes de escolas técnicas e na assessoria e apoio à eficiência energética para empresas do ramo de cerâmica vermelha nos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco.
“A cadeia da lenha é curta, mas tem uma importância regional muito grande pelo volume de energia que é proveniente dos recursos florestais da Caatinga”, afirma o coordenador do FNDF, Fábio Chicuta. Estima-se em 25 milhões de metros estéreos o consumo anual de lenha no Nordeste.
Parcerias com o Fundo Nacional do Meio Ambiente (MMA) e com o Fundo Socioambiental da Caixa ajudam a potencializar as ações.
Nova fonte de renda no sertão
O primeiro elo a ser trabalhado foi o dos agricultores familiares com o apoio à extração sustentável de lenha e de outros produtos florestais.“A gente atua no campo para que a floresta permaneça floresta”, diz o gerente de Capacitação e Fomento do SFB, João Paulo Sotero.
Mais de 1.700 famílias já receberam ou recebem assistência técnica nos estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Piauí. Parte desses assentamentos estão próximos a polos industriais consumidores de lenha, do qual se tornam fornecedores.
Mais que abastecer a indústria, a lenha do manejo se tornou uma fonte de renda complementar à agricultura e à pecuária. É uma atividade feita na época da seca, quando a falta de chuvas dificulta outras atividades. No assentamento Paulista, em Pernambuco, cada família chegou a alcançar mais de R$ 1.700,00 em 2013 com a atividade.“Juntamos a floresta ao bode e ao feijão”, diz o chefe da Unidade Regional Nordeste do SFB, Newton Barcellos.
Com a floresta se tornando um valor para a comunidade, o interesse em conservá-la aumentou. No Piauí, agricultores familiares formaram no ano passado a primeira brigada voluntária contra incêndios florestais com o apoio do SFB, Ibama (Prevfogo) e Incra. O objetivo? Proteger a floresta manejada.
Também no Piauí, assentados querem agora partir para uma nova etapa: agregar valor à madeira obtida com o manejo, uma vez que esse produto tem dimensões maiores que em outros locais do Nordeste. A ideia do grupo é montar uma serraria. Assim, em vez de simplesmente ser usada como lenha ou transformada em carvão, a madeira poderá ser beneficiada para a produção de pisos e caibros, por exemplo.
A gerente de Florestas Comunitárias do SFB, Elisângela Januário, destaca que os resultados também estão ligados à superação de determinadas questões. “Um dos grandes desafios para os produtores é gerenciar possíveis conflitos que podem surgir com o uso múltiplo de suas áreas individuais ou coletivas e desenvolver habilidades para acessar mercados e negociar com o setor empresarial. Essas habilidades de gestão e comercialização é que garantirão a sustentabilidade das atividades florestais”, afirma.
Assistência técnica
Com o crescimento do manejo comunitário, o SFB percebeu a necessidade de profissionais qualificados para atender os agricultores. “Começamos a ver que poderia haver alguns entraves ao manejo. Um deles era mão de obra. Poderíamos enfrentar a falta de profissionais qualificados para elaborar planos de manejo e implementá-los”, diz Sotero.
O FNDF passou então a lançar chamadas para instituições de assistência técnica e, até o momento, já capacitou cerca de 270 agentes de entidades estaduais, municipais e de organizações não governamentais interessadas em conhecer as técnicas dessa atividade produtiva. Ao mesmo tempo, o SFB realizou cursos sobre manejo florestal para cerca de 800 estudantes de escolas técnicas.
Segundo Newton Barcellos, é preciso romper com a visão tradicional de que assistência técnica deve ser apenas para agricultura e pecuária, a fim de que o manejo florestal receba mais atenção.
“A rede de assistência técnica é muito voltada para agricultura e pecuária. A floresta ainda é vista só como meio para proteger o solo, a beira do rio, ser abrigo para animais. Não é vista como forma de produção sustentável, um ativo que gera renda e reduz a pobreza”, afirma Barcellos.
Aos poucos, porém, pequenas mudanças vão acontecendo, seja no setor governamental ou privado.“Na Paraíba, engenheiros florestais recém-formados acabaram de abrir uma empresa e ganharam um edital de assistência técnica. É sinal de que está havendo mercado, que esse mercado interessa”, diz o chefe da Unidade Regional Nordeste.
Mercado 
Dois segmentos industriais fortes – o de gesso e o de cerâmica – no Nordeste têm na lenha sua principal fonte energética. Estima-se que o Nordeste atenda à demanda por 95% do gesso usado no país. Já a indústria cerâmica, outro setor econômico relevante nessa região, cresce junto com a construção civil.
Esse cenário motivou o SFB a começar no ano passado assessoria a 18 empresas ceramistas daParaíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte para promover eficiência no uso da lenha. Visitas às empresas, orientações sobre manejo de pátios e fornos, assessoria e cursos para os proprietários, gerentes e funcionários estão entre as ações promovidas.
A ação já chama a atenção de mais empresários. “A indústria ao lado viu as pessoas fazendo curso, viu que eles iriam para empresa modelo, isso começou a gerar demanda, pois não eram ações de comando e controle, eram ações de fomento, ou seja como fazer da melhor forma”, diz Sotero.
Um dos próximos passos do SFB será apoiar as empresas interessadas em mudança de tecnologia na elaboração de projetos para captação de recursos. O Fundo Clima do Ministério do Meio Ambiente, parceiro do SFB nestas iniciativas, por exemplo, tem uma linha de financiamento para aquisição de máquinas e equipamentos com maiores índices de eficiência energética ou que contribuam para a redução de emissão de gases do efeito estufa.
Do campo à indústria, do agricultor ao empresário, as mudanças no semiárido aos poucos começam a acontecer: a Caatinga e sua vegetação vistas como um ativo, que é valorizado, capaz de atender à demanda por produtos florestais de forma sustentável, fazendo com que a “mata branca” desse bioma gere riqueza e benefícios para sua população.

Contato para a imprensa
Serviço Florestal Brasileiro
Assessoria de Comunicação
(61) 2028-7130/ 7293
comunicacao@florestal.gov.br
Siga-nos no Twitter: sfb_florestal
Facebook: florestal.gov
Youtube: SFBflorestal

Fonte: http://www.florestal.gov.br/noticias-do-sfb/manejo-florestal-conquista-espaco-na-caatinga

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Cientistas desvendam mistério dos 'sons de pato' no fundo do mar

rtigo científico diz que som é resultado das 'conversas' entre as baleias-de-mink, mamíferos da região do Oceano Antártico
   27/04/2014 - 13:13:58
Fonte: BBC Brasil   


O mistério do estranho som de um grasnar de pato que é emitido do fundo do oceano foi finalmente resolvido, segundo um artigo científico publicado esta semana.

Reprodução
Cientistas acoplaram gravadores às baleias-de-minke para investigar o som

O barulho – apelidado de "bio-pato" – surge sempre no inverno e na primavera no Oceano Antártico. No entanto, a sua origem é um mistério para os pesquisadores desde a década de 1960.

Agora, gravadores acústicos revelaram que o som na verdade é uma espécie de "conversa" entre baleias-de-minke, um mamífero típico da região. As descobertas foram publicadas na revista científica Biology Letters.

"Foi muito difícil encontrar a origem do sinal", disse a pesquisadora Denise Risch, do instituto US National Oceanic Atmospheric Administration (NOAA), que liderou o estudo.

"Ao longo dos anos, houve várias hipóteses, mas ninguém conseguia mostrar realmente que era essa espécie que estava produzindo este som até agora."

Sons e migrações
O som estranho foi detectado pela primeira vez por submarinos há 50 anos. Na época, as pessoas que o ouviram ficaram surpresas ao descobrir que o som era muito parecido com o grasnar de patos. Desde então, essa frequência baixa foi gravada muitas vezes em águas da Antártida e do oeste da Austrália.

Várias explicações surgiram para o fenômeno – como a de que eles seriam emitidos por peixes ou embarcações. Os pesquisadores dizem agora possuir "sinais conclusivos" de que o som é produzido pela baleia-de-minke. Em 2013, gravadores de som foram colocados em duas baleias da espécie.

"Descobrimos que o som era produzido pelo próprio animal que estava carregando o gravador ou por outro animal da mesma espécie que estava ali perto."

Os pesquisadores ainda não sabem exatamente como as baleias-de-minke emitem esse som. O que eles sabem é que os sons gravados foram produzidos quando os animais estavam próximos à superfície – antes de eles fazerem mergulhos profundos.

O objetivo dos pesquisadores agora é estudar mais esses animais, que são pouco conhecidos pela ciência, a partir dos sons capturados.

"Isso vai nos permitir identificar seus padrões migratórios – o exato momento em que os animais aparecem nas águas da Antártida e quando eles saem novamente."

A equipe vai analisar dados de uma estação do Instituto Alfred Wegener, na Antártida, que vem gravando sons na região há anos. Este não é o único mistério sonoro decifrado por cientistas nos últimos tempos.

Outro som estranho – uma baixa frequência conhecida como The Bloop, em inglês – também foi desvendado: era o barulho do gelo se partindo na Antártida.

Fonte: http://www.topnews.com.br/noticias_ver.php?id=29621

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Justiça proíbe Prefeitura de SP de emitir novas licenças ambientais de obras de grande porte


De acordo com a administração municipal, a medida, tomada já em segunda instância pelo tribunal, pode atrasar 150 obras. Entre elas, estão as do Itaquerão, local de abertura da Copa do Mundo, e da Arena Palestra Itália, do Palmeiras.

A ação atende um pedido do Ministério Público que contesta o convênio feito entre governos municipais e do Estado para a descentralização das licenças ambientais. A prefeitura vai recorrer da decisão. 




Fonte: http://cbn.globoradio.globo.com/sao-paulo/2014/04/09/JUSTICA-PROIBE-PREFEITURA-DE-SP-DE-EMITIR-NOVAS-LICENCAS-AMBIENTAIS-DE-OBRAS-DE-GRANDE.htm

Canadá: baleias jubarte perdem status de proteção por causa de oleoduto

Ambientalistas e a oposição no Canadá denunciaram o governo pela decisão de deixar de considerar as baleias jubarte espécie ameaçada e o acusam de querer facilitar, assim, um controverso projeto de oleoduto.
Alegando basear-se em dados científicos, o governo canadense anunciou no sábado, no jornal oficial, que o mamífero, o maior do planeta depois da baleia azul, será considerado a partir de agora "uma espécie preocupante" e não mais uma "espécie ameaçada".
Por causa desta distinção, o hábitat do cetáceo deixará de ser protegido por lei.
A decisão foi tomada de forma "incrivelmente rápida", declarou na terça-feira à AFP Jay Ritchlin, da Fundação David Suzuki, uma das organizações ecologistas mais influentes do país.
Ele considerou "inquietante" que esta modificação tenha ocorrido "no mesmo momento em que se estuda um grande projeto de desenvolvimento", em alusão ao projeto de oleodutos Northern Gateway.
O principal partido da oposição no Parlamento canadense, o Novo Partido Democrático (NPD, esquerda), acusou o governo conservador de querer "satisfazer seus amigos da indústria petroleira e abrir a porta ao projeto de oleodutos Northern Gateway".
No jornal oficial, o governo destacou, no entanto, ter agido após a apresentação, em 2011, de um informe realizado por um comitê independente de cientistas, que destacou a existência de "grande abundância da espécie" ao longo da costa do Pacífico canadense.
A baleia jubarte foi oficialmente declarada espécie ameaçada em 2005 por recomendação de um painel de especialistas. Em 2003, um informe independente registrava "umas centenas" de exemplares do cetáceo. O governo estima que atualmente, a população da espécie seja de 18.000 exemplares.
Empreendido pelo grupo canadense Embridge, o projeto Northern Gateway, de 1.200 km, pretende transportar 525.000 barris de petróleo por dia ao longo do litoral pacífico canadense da província de Alberta (oeste) através das Montanhas Rochosas. O duplo oleoduto projetado concluiria sua trajetória ao norte da província da Columbia Britânica, no porto de Kitimat, em uma região desabitada próxima à fronteira com o Alasca.

Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/sustentabilidade/canada-baleias-jubarte-perdem-status-de-protecao-por-causa-de-oleoduto,37061a013a985410VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html

Cientistas mobilizam-se pelo tombamento da Serra da Mantiqueira


24/04/2014
Por Karina Toledo
Agência FAPESP – Além de abrigar um grande número de espécies animais e vegetais endêmicas, muitas delas ameaçadas de extinção, os remanescentes florestais da Serra da Mantiqueira garantem grande parte da água que abastece as populações e as indústrias das cidades do Vale do Paraíba (no leste do estado de São Paulo e no sul do estado do Rio de Janeiro) e da capital fluminense.
Na avaliação de integrantes do Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo (BIOTA-FAPESP), interromper o processo de degradação pelo qual a região passa é, portanto, fundamental para evitar não apenas uma irreparável perda de biodiversidade como também o agravamento, no futuro, de crises hídricas como a que atualmente afeta a região Sudeste.
“Não seria possível, no momento, criar uma área de grande restrição ambiental, como um parque estadual, pois isso requereria desapropriações de terras e teria um grande custo para o Estado. Mas defendemos o tombamento das regiões acima de 800 metros de altitude, o que regulamentaria as atividades a serem realizadas sem impedir o desenvolvimento”, afirmou Carlos Alfredo Joly, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador do Programa BIOTA-FAPESP.
Ao lado do ambientalista Fábio Feldmann, Joly foi um dos organizadores do movimentoMantiqueira Viva, que promove desde março deste ano um abaixo-assinado pedindo o tombamento da Serra da Mantiqueira como patrimônio ambiental com o intuito de aumentar a proteção de um corredor de 45 mil hectares de remanescentes florestais existentes entre o Parque Nacional do Itatiaia e o Parque Estadual de Campos do Jordão. A petição já conta com mais de 5 mil assinaturas.
Segundo Joly, a proposta de tombamento foi apresentada inicialmente em 2011 e, desde então, vem sendo analisada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) da Secretaria Estadual de Cultura. Um primeiro parecer da equipe técnica da Unidade de Proteção do Patrimônio Histórico (UPPH) foi negativo à abertura do processo. Os defensores da proposta decidiram se mobilizar para evitar seu arquivamento definitivo.
Na prática, o tombamento não aumenta o nível de proteção da mata – apenas referenda a legislação já existente e representa uma nova barreira para eventuais mudanças, proibindo que o local seja destruído ou descaracterizado. Desde 1985, a Mantiqueira é considerada uma Área de Proteção Ambiental (APA) federal (categoria de unidade de conservação menos restritiva), mas até hoje não tem plano de manejo.
A região inserida na proposta abrange áreas de florestas contínuas nas encostas mais elevadas, as florestas com araucária da região do planalto e os campos de altitude da Serra da Mantiqueira Paulista que ficam na divisa de Minas Gerais com os municípios de Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Piquete, Cruzeiro, Lavrinhas e Queluz.
Toda essa área está inserida no mapa “Áreas Prioritárias para Incremento da Conectividade”, elaborado pelo BIOTA-FAPESP, e foi considerada pelos cientistas como Área da Mais Alta Relevância Ecológica, prioritária para a conservação da biodiversidade, para a criação de áreas protegidas e para o incremento da conectividade (leia mais em:http://www.biota.org.br/?p=4906).
Além disso, em um estudo internacional publicado em novembro de 2013 na revista Science, a Serra da Mantiqueira foi apontada como um dos 78 locais mundiais “insubstituíveis” para a preservação da biodiversidade global de mamíferos, aves e anfíbios (outros três pontos brasileiros apontados no artigo foram: a Serra do Mar, também na Mata Atlântica; e o Vale de Javari e o Alto Rio Negro, na Amazônia).
Ameaças
De acordo com Joly, uma das principais ameaças aos remanescentes de Mata Atlântica na região da Mantiqueira é a expansão da mineração de bauxita para a produção de alumínio e de outros minerais, principalmente perto da divisa do Rio de Janeiro com os municípios de Lavrinhas e Queluz.
O pesquisador também menciona a extração ilegal de madeira, palmito, bromélias e orquídeas; a caça de espécies ameaçadas de extinção, como o macuco (Tinamus solitarius), a araponga (Procnias nudicollis), o sabiá-cica (Triclaria malachitacea), o muriqui (Brachyteles arachnoides) e o bugio (Alouatta guariba); a especulação imobiliária; e o descarte inadequado de lixo urbano e de resíduos da mineração.
“Diversas espécies associadas às matas de araucárias e aos campos de altitude só ocorrem nessas áreas mais altas da Mantiqueira, sendo estas os únicos refúgios desta fauna em nosso Estado. Muitas dessas populações são os remanescentes de grupos de animais do sul do Brasil e dos Andes, um resquício isolado de um passado remoto quando as temperaturas eram mais baixas em toda a América do Sul”, afirmou André Victor Lucci Freitas, professor da Unicamp e membro da coordenação do Programa BIOTA-FAPESP.
Ainda segundo Freitas, 20 das 55 espécies de borboletas do Brasil ameaçadas de extinção encontram refúgio na Serra da Mantiqueira. Muitas dessas espécies possuem populações pequenas e frágeis, sendo facilmente eliminadas quando ocorre perturbação antrópica, como queimadas constantes, plantio de pinheiros e eucaliptos e poluição dos corpos d´água.
“Trabalhos recentes na Serra da Mantiqueira têm revelado diversas espécies desconhecidas para a ciência, muitas delas já ameaçadas antes mesmo de serem descritas. Em anos recentes, temos observado a extinção local das populações de diversas dessas espécies na região da Mantiqueira. Se não houver um plano para conservação de toda a região, com um bom zoneamento, uma porção importante da fauna paulista desaparecerá para sempre do nosso estado”, disse Freitas.
Na avaliação de Célio Fernando Baptista Haddad, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro, os ambientes de encostas e topos de serras e montanhas vêm funcionando, no curso da história evolutiva, como verdadeiros berçários de espécies. Essa condição, segundo ele, faz com que os ambientes altitudinais sejam muito frágeis e particularmente suscetíveis às degradações antrópicas – com o agravante de que a recuperação dessas áreas é mais difícil, cara e complexa.
“Os pontos culminantes da Mata Atlântica são encontrados na Serra da Mantiqueira, onde podemos observar uma fauna particular que resulta de um grau de endemismos mais elevado que o das áreas vizinhas, em altitudes menores. Assim, a conservação de remanescentes de Mata Atlântica é urgente e, dentre estas áreas, aquelas localizadas nas altitudes mais elevadas, como na Serra da Mantiqueira, devem ser priorizadas”, afirmou Haddad.
O especialista em recursos hídricos José Galizia Tundisi, do Instituto Internacional de Ecologia, lembra que o rico sistema aquático da Serra da Mantiqueira é um dos poucos ainda bem preservados no Estado de São Paulo e contribui para o abastecimento das bacias hidrográficas do Rio Paraíba do Sul, Rio Tietê e Rio Grande.
“A degradação desses mananciais poderia comprometer tanto a quantidade como a qualidade da água para os municípios da região. Sabemos hoje que as nascentes e a floresta têm papel fundamental na qualidade da água”, afirmou Tundisi. 
Fonte: http://agencia.fapesp.br/18974

quarta-feira, 23 de abril de 2014

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,encanamento-de-gas-estoura-e-interdita-pista-da-marginal-do-tiete,1157433,0.htm

Baleia-sei é um dos cetáceos mais velozes do mundo.
Encontro incrível ocorreu no Arquipélago dos Açores, no Atlântico.


O mergulhador alemão Reinhard Mink conseguiu um momento raro ao ficar frente a frente com uma baleia-sei (Balaenoptera borealis) de 16 metros de comprimento no Arquipélago dos Açores, no Atlântico.
Reinhard Mink conseguiu um momento raro ao nadar a poucos centímetros de uma baleia-sei (Foto: Caters News/The Grosby Group)O mergulhador alemão Reinhard Mink conseguiu um momento raro ao nadar, a poucos centímetros, de uma baleia-sei (Foto: Caters News/The Grosby Group)
A cena é extremamente rara, pois a baleia-sei é um dos cetáceos mais velozes do mundo, podendo atingir mais de 60 km/h.
Mink teve o incrível encontro enquanto participava de uma expedição com o fotógrafo Kai Matthes e o pesquisador Rui Prieto, da Universidade dos Açores, para a produção de um documentário sobre cachalotes – o maior cetáceo com dentes do mundo.

Fonte: http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2014/04/mergulhador-alemao-tem-encontro-raro-com-baleia-sei-de-16-metros.html

Pesquisa: 60% dos japoneses são a favor da caça à baleia

Seis em cada dez japoneses apoiam o programa de caça à baleia no país, mas apenas 14% admitem comer carne de baleia, de acordo com os resultados de uma pesquisa divulgada nesta terça-feira, 22.
O trabalho é apresentado menos de um mês depois de o Tribunal Internacional de Justiça ter determinado o cancelamento do programa dos baleeiros japoneses na Antártica, por considerar uma atividade comercial disfarçada de missão científica com vista a contornar a lei internacional.
A pesquisa de opinião, feita no fim de semana pelo jornal liberal Asahi Shimbun, mostra que 60% das 1.756 pessoas ouvidas apoiam o programa de investigação, contra 23% que se manifestaram contra.
Questionados sobre a regularidade com que comem carne de baleia, apenas 4% disseram "às vezes", enquanto outros 10% disseram fazê-lo "muito raramente".
Cerca de metade dos entrevistados (48%) disse não comer "há muito tempo", enquanto 37% nunca sequer provaram. Embora não seja difícil de encontrar no Japão, a carne de baleia não é um elemento regular da dieta japonesa.
A pesquisa foi feita um dia depois de o Japão ter dito que vai redesenhar a sua missão de caça à baleia na Antártica, a fim de a tornar "mais científica", e confirmado que pretende prosseguir, porém, com a atividade de investigação no Pacífico Norte, para onde devem zarpar, no próximo sábado (26), os baleeiros japoneses, iniciando a campanha anual.
Além desse segundo programa de pesca científica, o Japão continua a capturar, para fins comerciais, espécies menores de cetáceos, incluindo golfinhos.

Fonte: http://atarde.uol.com.br/mundo/noticias/pesquisa-60-dos-japoneses-sao-a-favor-da-caca-a-baleia-1585785

terça-feira, 22 de abril de 2014

Computador ajudará a decifrar assobios de golfinho para ele se comunicar com humanos

Projeto realizado nas Bahamas – Wild Dolphin Project – pode inspirar o surgimento de novas ideias. Pesquisadores estão desenvolvendo um computador para ser usado embaixo da água que promete funcionar como um interface entre homens e golfinhos.

Esse aparelho irá transmitir assobios artificiais por meio de alto-falantes, e, em seguida, se os golfinhos começarem a copiar os apitos, o dispositivo vai 'traduzir' os sons de volta para o inglês

Mas o propósito dos desenvolvedores não é exatamente que os animais se comuniquem com as pessoas. Segundo o site da Fast Company, o objetivo é que o equipamento possa ser usado para checar em tempo real o quanto os bichos podem reconhecer os assobios artificiais e qual é a capacidade deles de imitar esses sons sintetizados.

A iniciativa mostra um campo que pode ser explorado por startups e empreendedores que desejam por meio de seu negócio contribuir com pesquisa científica.
Alguns projetos brasileiros já foram destaques e podem auxiliar a ilustrar esse tipo de caso, como um portal sobre mobilidade urbana sustentável e um site que oferece uma solução de inteligência educacional focada na aceleração do aprendizado. Clique aqui para saber mais sobre esses assuntos.

Fonte:http://pme.estadao.com.br/noticias/noticias,computador-ajudara-a-decifrar-assobios-de-golfinho-para-ele-se-comunicar-com-humanos,4239,0.htm

Saiba mais no TED TALK da PEsquisadora DENISE HERZING: http://www.ted.com/talks/denise_herzing_could_we_speak_the_language_of_dolphins

quinta-feira, 17 de abril de 2014

É tempo de urubuzar

Angela Kuczach - 14/04/14

atropelamento2Atropelamento de onça na rodovia 262, entre Miranda e Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Leandro Loio/Facebook.
Foi lançado na quinta-feira (10) no Brazil Road Expo, que acontece em SP, o sistema Urubu Mobile. O aplicativo, desenvolvido pelo Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas, o CBEE, da Universidade Federal de Lavras, é a mais nova arma de combate ao drástico número de 450 milhões de animais silvestres mortos anualmente nas estradas do nosso país.
A estimativa é do professor Alex Bager, coordenador do CBEE, e foi desenvolvida a partir de 14 estudos publicados sobre o tema no Brasil.
O sistema que já vinha sendo testado a algum tempo, consiste em um aplicativo para smartphone e tablets com sistema android. Qualquer usuário dessas tecnologias pode baixar gratuitamente e colaborar com o monitoramento de atropelamentos de fauna. Ao encontrar um animal atingido, o usuário, utiliza o aplicativo para fotografá-lo e insere dados como coordenada geográfica. A data e hora do registro são automaticamente anexados à foto e vão para o banco de dados do CBEE. Uma equipe especializada e consultores identificam a espécie. Se pelos menos três técnicos concordarem sobre os dados, ele vai para o sistema.
urubu mobile1Créditos: CBEE - Imagem de Divulgação.
Com esse aplicativo simples, mas inédito de smartphone, Alex pretende obter informações mais concretas sobre onde, quando e quais as principais espécies atropeladas. “A ecologia de estradas ainda é muito recente no Brasil e sabemos muito pouco do que realmente acontece na malha viária do país”, diz ele. “Com isso fica complicado até mesmo propor medidas de mitigação de impacto”.

O CBEE tem parceria com o ICMBio, órgãos estaduais, e organizações não governamentais, como a Rede Nacional Pró Unidades de Conservação. Essa articulação toda é vital para que o sistema seja amplamente utilizado por quem está próximo ou dentro das Unidades de Conservação e possa contabilizar com maior precisão o impacto causado pelo atropelamento nessas áreas.

Saindo do universo acadêmico, porém, a ideia é que o Urubu Mobile seja acessível a todos. “Queremos que todo mundo utilize o aplicativo”, diz Alex, “desde caminhoneiros e motoristas em geral até funcionários de concessionárias que administram as rodovias; dos adolescentes que estão no banco do passageiro a mães que levam seus filhos à escola. Enfim… Queremos que o Urubu vire uma febre e torne-se a maior rede social da conservação da biodiversidade brasileira”.

Para estimular a participação do público, o CBEE disponibilizará todos os dados de atropelamentos no seu portal, para que qualquer interessado possa saber o que acontece em sua região e se motive a colaborar.

Somente ontem, ao ser lançado 150 pessoas imediatamente baixaram o aplicativo, e nos próximos dois anos a expectativa é que pelo menos outras cinco mil pessoas façam parte dessa rede.
Um manual de uso do Sistema Urubu e da sua ferramenta complementar, o Urubu Web estará disponível no Portal CBEE (Publicações – Textos Técnicos). E aí? Vamos todos urubuzar?
*Angela Kuczach, bióloga e diretora executiva da Rede Nacional Pró Unidades de Conservação.
 Fonte: http://www.oeco.org.br/convidados/28213-e-tempo-de-urubuzar

terça-feira, 15 de abril de 2014

Navio com carne de baleia impedido de acostar em Durban


Um navio com duas mil toneladas de carne de baleia comum foi impedido, esta semana, de acostar no porto de Durban, na África do Sul, após protestos internacionais.

O navio Alma, proveniente da Islândia, desloca-se para o Japão, tendo parado ao largo de Durban para reabastecer de combustível.

A Greenpeace anunciou que mais de 21 mil sul-africanos signatários de uma petição apelaram às autoridades portuárias para se oporem à entrada da embarcação.

«Cada país e empresas ligados ao transporte destas cargas devem estar conscientes de que tirar proveito do comércio das espécies ameaçadas é desaprovado pela comunidade internacional», disse Michael Onyeka, diretor-executivo da Greenpeace África.

«Comer ou comercializar a carne de baleia bem como o corno de rinocerontes é ilegal na África do Sul. A mobilização dos cidadãos sul-africanos de lutar pela abolição do comércio ilegal das espécies ameaçadas e da fauna foi subestimada. Este navio deixou as águas sul-africanas sem poder reabastecer-se de combustível», acrescentou.

A África do Sul é um dos membros fundadores da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Ameaçadas (CITES), proibindo o comércio da carne de baleia comum.

Fonte: http://www.abola.pt/mundos/ver.aspx?id=471962

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Passivo Florestal Brasileiro é de quase um Paraná

*Da Redação do Observatório do Código Florestal
08 de abril de 2014
Na primavera da Suécia, onde trabalha como professor convidado na Universidade de Chalmers, Gerd Sparovek, da USP, rodou uma nova base de dados para calcular o impacto do Código Florestal. O resultado da mais recente estimativa é que há um passivo de, pelo menos, 174 mil km² de Reserva Legal nas propriedades rurais. A área é quase do tamanho do estado do Paraná e terá que ser recuperada ou compensada a partir das regras em vigor desde 2012.
deficit-rl
Sparovek foi um dos primeiros – e raros – pesquisadores a encarar o desafio de estimar o que poderia acontecer quando o novo Código Florestal saísse do papel, na época em que a lei ainda estava em tramitação no Congresso. A tarefa é complicada, especialmente quando tenta calcular o impacto do Código Florestal sobre as Áreas de Preservação Permanentes (APPs). Faltam ao pesquisador informações mais precisas sobre rios e nascentes, por exemplo.
Cálculos mais exatos sobre os efeitos da aplicação do Código Florestal só serão possíveis depois que todos os donos de 5,4 milhões de propriedades e posses rurais do país se inscreverem no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e os dados forem lançados sobre as imagens de satélite de alta resolução. E isso ainda vai demorar pelo menos dois anos. Por enquanto, o que há são estimativas. A mais recente, produzida pelo professor Sparovek, embora inconclusiva sobre a exigência de área de restauração de vegetação nativa nas APPs, apresenta informações importantes, especialmente sobre as áreas às margens de rios.
Segundo o pesquisador, há 300 mil km² de APPs às margens de rios ocupadas com gado e plantações. Uma parte terá de ser restaurada, a partir das regras que consideram não apenas a largura dos rios, mas o tamanho das propriedades (quanto menor o imóvel, menor será a exigência de recuperação). “Aproximadamente metade das APPs ripárias tem uso agropecuário, mas em alguns biomas, como a Mata Atlântica, o percentual é maior: 73%”, diz Gerd Sparovek. “Outra informação importante é que há três vezes mais pasto nas APPs do que lavouras”, completou.
Um milhão de km² desprotegidos
Nos cálculos sobre os impactos do Código Florestal, o pesquisador estimou também a área de vegetação nativa que não está protegida nem sob a forma de Reserva Legal, nem sob a forma de APP. São áreas que podem vir a ser desmatadas, caso haja interesse para seu uso agropecuário ou extração florestal, dentro dos limites da lei e mediante licenças concedidas pelos estados. Essas áreas “desprotegidas”, concentradas no Cerrado e na Caatinga, somam 957 mil km². É mais do que o território do Mato Grosso. A pressão sobre as áreas de Cerrado é maior.
area-não-protegida
Como regra geral, indicam os resultados do estudo de Sparovek, quanto mais protegido é o bioma e maior o percentual de Reserva Legal exigido, maior também é o passivo. No topo da lista está a Amazônia, onde os dados apontam a necessidade de compensação ou recuperação de 70 mil km² de Reserva Legal desmatados em desacordo com a lei. O que representa três vezes o tamanho do estado do Sergipe.
O Cerrado vem na sequência no ranking, com 45 mil km² (pouco mais do que a área do estado do Rio de Janeiro) de vegetação a ser recuperada ou compensada nas diversas formas previstas pelo Código Florestal. Essas formas vão desde a simples regeneração natural, ao plantio parcial de espécies exóticas, à compra de Cotas de Regularização Ambiental (CRAs), ou à restauração pelo replantio das espécies nativas.

Compensação
A Mata Atlântica é o bioma com o maior passivo em relação à Reserva Legal exigida. É  onde a possibilidade de compensar o passivo de RL será mais complicada: “Quem buscar áreas para compensar déficit de vegetação de propriedades em São Paulo ou Paraná, encontrará maiores ofertas de áreas de Mata Atlântica na Bahia ou em Minas Gerais”, estima o pesquisador.  São 43 mil km² de passivo de Reserva Legal no bioma, de acordo com as estimativas de Sparovek.
Em todas as estimativas feitas para o Código Florestal há um grau de incerteza nos números, confirma o pesquisador. Os números do passivo de Reserva Legal são menores agora do que os estimados pelo mesmo Sparovek no ano passado ou pelo professor Britaldo Silveira Soares Filho, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Britaldo é autor de um estudo contratado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) sobre os impactos do Código Florestal. Com ressalvas quanto às incertezas que a contabilidade envolve, ele estimou o passivo em 210 mil km², incluídas as Áreas de Preservação Permanentes.
“No nosso caso, administramos a incerteza. Na verdade, quando afirmamos que o déficit de Reserva Legal é tanto, na verdade estamos dizendo que o déficit é no mínimo, tanto. Temos certeza que é maior, mas não sabemos exatamente o quanto maior. Com isto, mesmo incerto, esse número passa a ser útil na gestão e para quem precisa tomar alguma decisão antes de resultados mais precisos serem possíveis. Pode-se contar com pelo menos aquilo ou estar preparado para, pelo menos, aquele tanto”, resume Sparovek.
Segundo Raul do Valle, Coordenador de Política e Direito Socioambiental do ISA, os números levantados por Sparovek são preliminares e o passivo florestal pode aumentar: “Algumas regras de aplicação da lei ainda estão em discussão, e dependendo de como vierem a ser definidas, as estimativas, ao contrário de serem conservadoras, serão muito otimistas”. Valle ressalta que há um forte lobby dos sindicatos rurais para desonerar de Reserva Legal imóveis rurais situados no Cerrado, alegando que no bioma esse instituto só passa a valer em 1989 e, portanto, fazendas abertas antes dessa data não precisariam fazer a recuperação de Reserva Legal.   ” Isso é algo que ainda está em aberto e pode ter enorme impacto na conta do passivo, ” alerta.
 Fonte: http://www.observatorioflorestal.org.br/?p=1263

terça-feira, 8 de abril de 2014

Nos passos do santo

* Por Benedito Lima de Toledo
(publicado originalmente em 7 de maio de 1980, no Jornal da Tarde)

“Andei por essas aldeias…” (De uma carta do padre José de Anchieta, mais de 400 anos atrás, sobre o caminho através da Serra do Mar)

Há pouco mais de 400 anos (em 15 de novembro de 1579), o padre José de Anchieta escrevia carta ao Capitão Jerônimo Leitão dando conta da viagem que estava prestes a empreender rumo ao Cubatão. Nela começa por informar que “andei por essas aldeias negociando gente para a viagem”. Esse recrutamento era aparentemente exigência de Jerônimo Leitão para evitar que Anchieta viajasse desacompanhado. O missionário afirma que a canoa de Salvador Correa “bastava para me levar”, mas conta que Antônio Macedo conseguira reunir vinte mancebos “mas não pude acabar com eles que fossem senão por o Caminho Velho da Borda do Campo”.
Anchieta informa ainda que “faço conta de partir terça-feira com eles por água. E até sexta ou sábado ser no Cubatão com ajuda de N.Sr.”. A carta foi levada por Domingos de Pais com o pedido de “que nos mande canoas boas aos portos por onde irmos como para que lá esteja tudo prestes, porque esta gente não leva mais arcos e flechas”.
Como vemos, Anchieta fala em sua carta de um “Caminho Velho da Borda do Campo”. O caminho novo seria o mandado abrir em 1560 pelo padre Manoel da Nóbrega. Seu biógrafo, o padre Antônio Franco, informa que “por agencia de dois Irmãos nossos engenhosos, se abriu com grande trabalho este caminho, de que todos receberam grande segurança e proveito”. Este seria o “Caminho do Padre José”, pois provavelmente Anchieta seria um dos dois “Irmãos engenhosos”.
O engenheiro Guilherme Wendel, em trabalho apresentado no 10º. Congresso Brasileiro de Geografia (publicado em 1943), dá a seguinte interpretação para a carta de Anchieta: “Embarcando num porto perto de São Paulo, subiu pelo rio Grande e rio Pequeno, até certo ponto onde chegava ao caminho velho da Borda do Campo e donde continuou a viagem por terra atravessando o rio das Pedras até ao Alto da Serra, descendo esta, ou pelo vale do Perequê ou por alguma vereda, mais ou menos onde dois séculos depois foi construída a primeira estrada calçada”.
Quando o padre Fernão Cardim, visitador da Companhia, subiu a Piratininga, em 1585, conta que depois de viajar duas léguas por água e uma por terra foi pernoitar num abrigo “ao longo de um formoso rio de água doce que descia com grande ímpeto”. (Para o geógrafo Pasquale Petrone, professor da USP, esse rio seria o Perequê.)
No dia seguinte, caminhando até o meio-dia, o padre Cardim chegou ao cume, não sem grande esforço, porque “o caminho é tão íngreme que às vezes íamos pegando com as mãos”. Como todo viajante, o padre registrou a impressão que lhe causou a vista: “Chegando ao Paranapiacaba, lugar donde se vê o mar, descobrimos o mar largo quanto podíamos alcançar com a vista (…).”
Há cerca de dez anos, quando ocupava-me em localizar e balizar a “Calçada do Lorena” – aquela “estrada calçada” citada por Wendel – realizei várias expedições à serra, bem como a sobrevoei algumas vezes. Nos vôos baixos sobre a serra, pude notar que alguns caminhos dirigiam-se paralelamente à crista da serra rumo ao Perequê.
Percorrendo depois aquele caminho, observamos que ele cruza um regato onde há vestígios de ponte, de troncos. Daí para a frente, o mato toma conta do caminho, fechando-o em alguns trechos. Mas com certo trabalho é identificável, porque são visíveis os cortes, sob a vegetação, no morro. Também o próprio leito do caminho é identificável, mesmo tomado já por árvores de razoável porte. Depois de cruzar vários riachos, surge à frente o rio que desce com grande ímpeto, como nos fala o Fernão Cardim.
É curioso notar que quem segue pelo planalto sem enveredar pelo caminho, vai encontrar uma das paisagens mais belas da região: a conjunção de três afluentes formando o que se presume seja a “Grota do Perequê”, ponto de um caminho conhecido por “caminho do Monge”, certamente outra denominação do Caminho do Padre José”.
O trabalho minucioso e paciente de reabertura da trilha foi empreendido principalmente em 1976, com a colaboração de estudantes (hoje arquitetos) da FAU/USP. Foram feitas sucessivas excursões frequentemente prejudicadas pela neblina que subitamente se forma na serra, impedindo a identificação sequer do caminho de retorno. À falta de mapas, nossa referência gráfica eram fotos do levantamento aerofotogramático do Departamento de Geografia da USP. Auxiliou-nos muito a foto-interpretação realizada também por um professor da FAU/USP, que assinalou os cursos d’água e as trilhas naquelas fotos.
Dessa forma, foi possível ir reconstituindo o traçado do caminho, que ora se aproxima da calha do rio Perequê e ora dele se afasta. Em determinado ponto, abre-se à frente uma notável vista da baixada que se estende até o vale do rio Mogi.
Um dia, em 1976, na companhia de colegas, topamos com uma pequena construção de cal e pedra, de pequeno porte, cujo significado não foi possível esclarecer. Mas seguramente relacionava-se ao caminho. Um arqueólogo foi convidado a ir conhecer nosso achado, mas, pouco habituado a caminhadas, não teve disposição para ir além do início da descida (antes, é certo, havíamos caminhado muito, por uma trilha que tomamos erroneamente devido a obras que se realizavam na região). Fica, pois, essa referência importante a ser esclarecida, por tratar-se de uma obra de cantaria em caminho de terra.
Mais adiante, o caminho começa a bordejar com desnível que deve ser o mencionado pelo padre Simão de Vasconcellos, que à vista do precipício, confessa no seu estilo hiperbólico que “tremeram-me as carnes”.
Outro ponto interessante é saber onde ficaria o porto das Almadias, na Baixada. Quem vinha de Santos ou São Vicente, enveredava pelo rio Cubatão e subia o Perequê até aquele porto. Daí para frente tomava-se o “Caminho do Padre José”. Quando Wendel se ocupou do assunto, procedeu da seguinte forma:
“Para determinar a posição exata deste ponto, fui pelos rios Cubatão e Perequê acima, até esbarrar, a cerca de 1250 metros acima da barra deste, com um obstáculo: uma laje que atravessa o rio formando uma pequena cachoeira que impedia a navegação. Devia estar no porto de Almadias, De fato, encontrei na margem esquerda, pouco abaixo da laje, vestígios de antigas construções.”
Foi nesse local que Wendel encontrou o marco divisório, lavrado em pedra, que hoje se encontra no Museu do Ipiranga. Essa peça, de inestimável valor arqueológico, segundo Wendel seria um marco divisório de sesmarias.
Refazendo o itinerário de Wendel, percorri o rio Perequê em canoa, desde o rio Cubatão até onde foi possível navegar. Levou-nos um barqueiro que, naquela época, afirmava estar próximo dos 90 anos de idade e que sempre viveu na região. Atualmente um novo dado veio alterar profundamente o quadro descrito por Wendel: o polo industrial de Cubatão. Não foi possível ver vestígios das antigas construções. O barqueiro apontou-me os “lenheiros”, caminhos que conduziam até o início da serra e que eram utilizados por lenhadores e carvoeiros, no passado.
Há um ponto que pode ter sido o do porto das Almadias, onde a água é rara e se espraia como na descrição de Wendel. É aí que vem ter o caminho de que nos ocupamos. Nesse ponto há uma trilha, hoje prejudicada pela expansão da refinaria de Cubatão, que ligava o porto das Almadias com o início do “Caminho do Mar”, exatamente na localidade onde ficava antigamente a Capela de São Lázaro com seu pequeno cemitério anexo, ambos demolidos. A esse ponto vem ter ainda uma segunda trilha que, partindo da “estrada de troncos” no planalto, desce a serra de forma mais abrupta.
Frei Gaspar da Madre de Deus, que teria 77 anos quando a “Calçada do Lorena” foi inaugurada (1792), refere-se ao caminho antigo como “o pior talvez que tinha o mundo”, com a autoridade de quem o havia percorrido várias vezes e assistido a diversos reparos. Isso, mesmo “depois de se ter consertado a serra três vezes no dilatado curso da minha vida e sempre no mesmo estilo com pouca diferença”.
Um desses “consertos” deve ter sido realizado à época em que por ali subiu a bateria que se dirigia ao Iguatemi; outro é o realizado por Lobo Saldanha em 1781, com donativos das Câmaras de diversos municípios. Em novembro desse ano ele escrevia ao vice-rei dando conta das “infinitas pontes das mais duráveis madeiras” que executara no caminho. Todavia um sucessor seu afirma que em nove anos a estrada revertera a um “miserável estado”.
Frei Gaspar a descreve pouco antes da abertura da “Calçada do Lorena” como sendo “tão apertada que nos barrancos colaterais se viam sempre reguinhos abertos pelos cavaleiros que não podiam transitar sem irem tocando com os estribuos naqueles formidáveis paredões”. Isto evidencia que, antes mesmo da abertura da “Calçada”, já era intenso o trânsito de animais pela serra do Mar.
Não é de hoje que defendemos a ideia de que todos os caminhos da serra do Mar deveriam ser objeto de cuidadoso estudo, de forma a vir a integrar um amplo “Ecomuseu”. Nesses caminhos está boa parte da história de São Paulo, onde aparecem sempre surpresas. Por exemplo: sabe-se que já no planalto o primitivo caminho passava por Zanzalá, Caveiras e Botujuru (na língua dos nativos, “local onde sopra o vento”). O Botujuru ficava próximo à fazenda Bonilha, localizada nas cercanias do morro que tem esse nome até hoje. Esse morro era valiosa referência para fixar o rumo do viajante que, saído da mata, tinha as visuais livres da “Borda do Campo”. Até hoje essa perspectiva se mantém desobstruída.
Essa estrada poderia ser a continuação da “Calçada do Lorena” no planalto. Partindo nessa diretriz foi possível localizar uma estrada com dimensões semelhantes à “Calçada”, tendo sulcos profundos que revelam ter sido intensamente usada por veículos de rodas. Como se sabe, a “Estrada da Maioridade” foi aberta quando se tornou intenso o uso de veículos. A estrada do Botujuru, assim, é mais um importante item nessa longa história iniciada pelo apóstolo do Brasil.
* Benedito Lima de Toledo é arquiteto e historiador.

Fonte: http://blogs.estadao.com.br/edison-veiga/2014/04/06/andei-por-essas-aldeias-de-uma-carta-do-padre-jose-de-anchieta-mais-de-400-anos-atras-sobre-o-caminho-atraves-da-serra-do-mar/